quarta-feira, 25 de maio de 2011

Diamantes são produzidos explodindo CO2

Diamantes são produzidos explodindo CO2
Redação do Site Inovação Tecnológica - 17/05/2011

 

Diamantes são produzidos explodindo CO2
A explosão gera uma altíssima pressão, que dura apenas uma fração de segundo, mas suficiente para cristalizar o carbono do CO2 na forma de minúsculos diamantes, aqui vistos por um microscópio. [Imagem: Jason Nadler/Gatech]



Vida e riqueza
O dióxido de carbono bem poderia rivalizar com o oxigênio como o "gás da vida", dada sua importância no ciclo biológico da Terra.
Hoje, porém, ele é mais conhecido como um gás de efeito estufa - o mesmo efeito que permite a vida na Terra, mas que, levado ao exagero, pode colocar essa mesma vida em dificuldades.
Esse excesso talvez agora possa ganhar uma destinação bem mais brilhante e preciosa: mais especificamente, o CO2 pode transformar-se em diamante.
Diamante de CO2
Muitos especialistas diziam há anos que fazer diamantes a partir do dióxido de carbono era impossível.
Mas o pesquisador Daren Swanson, da Universidade de Queens, no Reino Unido, não se convenceu, e prosseguiu com suas explosões geradoras de pressão até finalmente ter sucesso.
Depois de três anos de pesquisa, ele provou que o CO2 pode realmente ser usado para produzir minúsculos diamantes industriais - eles não são grandes o suficiente para se transformarem em uma joia, mas são muito bem pagos para utilização em inúmeras aplicações industriais.
Detonação a frio
Chamada de "Detonação Física a Frio" - ou CDP (Cold Detonation Physics) -, a técnica consiste em misturar gelo seco, que é essencialmente CO2 congelado, com outros ingredientes para fazer um explosivo.
Esta mistura, a -78,5 ° C, é comprimida dentro de um tubo de aço muito grosso e então detonada.
A explosão gera uma altíssima pressão, que dura apenas uma fração de segundo, mas suficiente para cristalizar o carbono do CO2 na forma de diamante.
A fina poeira de diamante produzida - os cientistas os chamam de nanodiamantes - tem aplicações que vão desde o revestimento de ferramentas, discos de corte e peças para polimento, até o transporte de drogas quimioterápicas no interior do corpo humano.
Diamantes sintéticos
Segundo os pesquisadores, a produção de diamantes a partir do CO2 pode se tornar a técnica mais barata para a fabricação de diamantes sintéticos - certamente o mais ambientalmente amigável, uma vez que ela literalmente detona o CO2.
Um subproduto interessante da pesquisa é o próprio explosivo, que poderá ser usado em mineração - o explosivo é menos ambientalmente danoso do que a dinamite.

A geração movida a Ritalina

Pílula da sala de aula

A geração movida a Ritalina

Estudantes saudáveis buscam no metilfenidato, conhecido comercialmente como Ritalina, a solução para aumentar seu desempenho nas provas e sua capacidade de concentração. Com isso, colocam em risco seu bem-estar físico e psicológico e ajudam a desenhar uma geração viciada no medicamento
Um surto silencioso, alimentado por comprimidos aparentemente inofensivos, está se alastrando pelos corredores de cursinhos pré-vestibular de Porto Alegre.
Dispostos a tudo para realizar o sonho de entrar na faculdade, estudantes que mal saíram do Ensino Médio arriscam a saúde e se tornam usuários deliberados de um medicamento dotado de uma lista interminável de efeitos colaterais, com um único objetivo: turbinar o desempenho intelectual e superar os concorrentes. Os riscos incluem surtos psicóticos, mudanças bruscas de comportamento e humor e ataque cardíaco.
O remédio em questão tem como princípio ativo o metilfenidato, cujo nome comercial mais conhecido é Ritalina. Surgiu no fim dos anos 40 e, desde então, consagrou-se como um poderoso estimulante do sistema nervoso central, considerado como um dos principais recursos no tratamento de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
– É um remédio que funciona muito bem nos casos de TDAH. O problema é que passou a ser consumido de forma indiscriminada e inconsequente, por quem não precisa – alerta o neurologista André Palmini, chefe do Serviço de Neurologia do Hospital São Lucas,da PUCRS.
Em outras palavras, trata-se do que os especialistas chamam de “doping cognitivo”. Se em pessoas com TDAH o metilfenidato éa chance de uma vida normal, em quem nã tem a doenç a substâcia chega a aumentar a capacidade de concentraçã em 10% ou 20%. Para vestibulandos àbeira de um ataque de nervos,o acrécimo pode significar muito.
–Uso porque quero passar no vestibular. A concorrêcia é grande. Faz dois anos que tento o curso de Medicina –diz uma vestibulanda de 20 anos, que pede para ter o nome preservado
Embora a Ritalina tenha a venda controlada, os estudantes não têm dificuldade para conseguir o produto. Basta circular pelos principais cursinhos da Capital para saber onde ficam as farmácias que o comercializam livremente. Há também aqueles que procuram psiquiatras e simulam os sintomas de TDAH para ganhar o remédio.Outros trocam comprimidos em plena sala de aula. Quem não entra no jogo, acha que pode ficar para trás e acaba cedendo.
– O pior é que há cursinhos e até pais que estimulam. Nós fazemos de tudo para evitar e tentamos alertar para os riscos – afirma a psicóloga Márcia FischerVieira.
Uma das estratégias adotadas para enfrentar a batalha, segundo Márcia, é um programa de acompanhamento feito sob medida para os vestibulandos. Na base da conversa, eles trabalham seus medos e angústias.Versão semelhante é oferecida aos pais, muitas vezes tão tensos quanto os filhos.A luta,porém,está longe do fim.
Enquanto não se derem conta da gravidade do problema,acredita o psiquiatra Eugênio Grevet, coordenador de pesquisa doAmbulatório de TDAH do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, os usuários continuarão testando limites.E arriscando suas vidas.

“É a bola da vez da indústria farmacêutica”

ENTREVISTA - José Outeiral, psiquiatra

Conhecido pelas opiniões fortes, o psiquiatra gaúcho José Outeiral, 62 anos, faz um alerta: o uso indiscriminado do metilfenidato, que considera “a droga do momento”no Brasil, já causa mortes precoces no país. Autor de livros como Adolescer e Adultecer, Outeiral recebeu Zero Hora em seu consultório, no bairro Independêcia, na Capital, na tarde de quinta-feira. Confira os principais trechos da entrevista:

Zero Hora – Como o senhor avalia o uso do metilfenidato (Ritalina) no Brasil? Está havendo um excesso?
José Outeiral – Dia desses uma mãe telefonou para meu consultório e perguntou:“O senhor trabalha com Ritalina?”. Ela queria uma receita para o filho. Játinha o diagnótico da escola. Eu disse que não. “Trabalho com crianças”, respondi. Não sou um prescritor. A verdade é que déicit de atenção virou moda, e a Ritalina, também. É a bola da vez da indútria farmacêutica.

ZH – Nos cursinhos pré-vestibular, a Ritalina virou uma febre. É usada para melhorar o desempenho. O que o senhor acha disso?
Outeiral – Na nossa sociedade, tu não podes ser um “looser”, um perdedor. É preciso ser vencedor a qualquer custo. Isso é reflexo do mundo narcisista e da barbárie em que vivemos. No caso do metilfenidato, o que se critica é justamente esse abuso. É claro que é um medicamento muito bom, mas para quem realmente precisa. E só uma parcela pequena realmente precisa. A Ritalina fugiu do controle.

ZH – Mas esse medicamento não é um dos mais controlados?
Outeiral – Há um receituário especial, que só alguns médicos têm. Mas a farmácia aqui na esquina, por exemplo, vende sem receita. Além disso, os médicos são estimulados a receitar a medicação. Nos anos 60, 70, era assim com o Valium. Depois, o Rivotril.Agora, a Ritalina.

ZH – Quais são os riscos?
Outeiral – A Ritalina não é uma medicação leve. Já se proliferam os casos de crianças e adolescentes que sofrem ataques cardíacos em função do remédio e morrem precocemente. Não é brincadeira. Já está acontecendo.
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Reportagem por: JULIANA BUBLITZ
Fonte: ZH on line, 22/05/2011